Preciso de um porre da bebida mais forte que tiver aqui. Encher a cara e esquecer de tudo, até meu nome. Afogar as lembranças, transformá-las em memórias mortas. Aniquilar todos os sentimentos que, por inconveniência, sinto por você. Parar de pensar em um passado de “nós” e me concentrar em um futuro com o “eu” presente. […] Primeira dose.Ainda sinto seu afago pelo meu corpo. Não que não seja bom. As mãos macias me trazem recordações, juntamente com o calor dos beijos e os carinhos. Segunda dose. Ainda escuto o sussurro da sua voz nos meus ouvidos. A nossa música toca como plano de fundo na minha mente. Aquela maldita lágrima escorre e, infelizmente, não consigo prendê-la.Terceira dose. Sinto seu perfume. Do nada. Como se ele estivesse impregnado no meu nariz. Como se ele estivesse virando o ar. Quarta dose. Os nossos domingos juntos vieram na mente. Aquele domingo de redenção, no qual o sol das 6 ainda batia nos teus olhos. Brilhantes, vivos e amargos. Uma completa discórdia. Quinta dose. Meu ápice da sua abstinência bateu. Uma saudade incontrolável, que eu havia trancafiado, saiu de dentro do coração. Confesso que doeu e depois que o efeito do álcool passar, vai doer ainda mais. Ainda bem que consigo ser completamente honesto comigo mesmo. Sexta dose. As lágrimas se tornam ainda mais teimosas. Elas caem sem a minha autorização. A minha visão anda borrada e por qualquer lado que eu olhe, seu rosto aparece nos lugares mais improváveis. Sétima dose. Andei conversando com alguém. Não lembro seu nome. Não lembro seu rosto. Mas creio que falei muito de você amor. Disse-lhe tudo e o quanto eu te amo. Disse que não sabia o motivo da sua partida e perguntei à ele onde você estava. Ele limitou-se à dizer: “Longe. Muito longe de você.” Oitava dose. Ainda sei quem sou. Ainda sei o que estou fazendo. Preciso de doses mais letais. Mais copos virados. Mais amores derramados. Nona dose. Foi esse copo que me deixou tonto mais do que eu estava e perdi a noção de quantas vezes pensei em você e quantas pontas de cigarro fumei sem ver. Tinha que colocar na cabeça que você não precisa de mim, mas não conseguia me desvincular com o fato de eu ser completamente dependente de você.Décima dose. Já se foi meia garrafa e eu continuo com os mesmo pesares da primeira lapa de álcool. Está faltando algo. Não sei se foi por impulso ou se foi ao acaso, mas na minha cabeça veio seu nome escrito.Décima primeira dose. Agora vem a parte das lamentações. Se tudo fosse como eu quisesse, você não teria me deixado. Se tudo fosse tão bonito, você estaria me abraçando agora mesmo. Me desculpe, minha boca não consegue te esquecer. Décima segunda dose. A trajetória anda muito difícil sem você, ando em bares fazendo a mesma coisa que estou fazendo agora. Passo tanto tempo tentando te esquecer, que tentar te esquecer já me faz te lembrar. Décima terceira dose. Estou contando minhas coisas fúteis. Perdi meu juízo. Preciso te tocar. Não é mais apenas um querer, é necessidade. Não posso deixar de te querer. Um sorriso veio nas lembranças. Mas não me lembro de quem é. Décima quarta dose.Tudo se foi. Memórias, lembranças e desejos. Você disse “adeus” na esperança de ouvir um “fique aqui comigo” e ouviu apenas um “tchau”. Me desculpe, por mais que a minha necessidade de te ter, eu precisei. Precisei te deixar caminhar. Décima quinta dose. Apaguei. Dormi.Sonhei com você…